segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sono Líquido



Guardo luas lágrimas nas torrentes
Das águas. Sono líquido clareando
Clava de dentes. E cravo de dentes
Os sonhos, e também os afogando.

Recordo suas lagrimas nas torrentes
No arranhas céus de paredes mornas
Quieto, inóspito. Velhas novas normas
Dois brancos leites derramados quentes.

A superfície da lente dos seus olhos
Quando os raios sol machucam quanto
Um derradeiro pranto encerra um selo
Medo que jaz de mim em negro peito.

O éter idade fecunda os vinhos brandos
Que dos lábios corre discreto loucos
Antagonistas das marés e dos barcos
Um imóvel ao lago e o outro chacoalhando.

Assim dois corpos incertos
No subterrâneo dos encéfalos
Um no vandalismo dos instintos
O outro carregado de razão e abalos.


Ander 10/12/2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012


 
 
Insônia

Trancado seus portões de ferro rubro
Ao fim dos que adentram todas as noites
Numa câmera congelada de espinhos
De onde se fabrica os sonhos negros
E no atemporal do ínfimo tempo
São Aqueles que não estão prontos ainda.

A recusa da morte é a insônia
Trancado seus portões de carranca
Aquele que de imprudência não entra
Carrega a vela que o pavio não inflama
E não traz o aspecto congelado
Da cadavérica pintura do passado.

Angustia estomacal
E o vômito feito de dedos
Não dormir é o sangue
Dos orifícios sensoriais...
Na nítida angustia
Dos males que aflige o homem
Os lençóis de psicose
Trás todas as meticulosidades
Da degradação da existência.

Para livrar-se das tempestades
Dessa metade de duas faces horrendas
Tem de ir ao centro além dos portões
E fixar-se eternamente junto aos que estão mortos.

Ander 28/11/2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A um esqueleto

Quantas vezes, infinitas perturbadoras
Aflitivas, angustiantes, famintas vezes
Meus olhos de gelo arderam predadores
No seu esqueleto comprido amarelo
Quantas vezes, absorto em necrofagia
A pele esticando sobre seus músculos
Olhos de doença pornográfica rústica
Contradizendo esta paisagem mística

Eu delirando de orgasmo e de amor tamanho.
Com sua caveira que tanto amo
Com os dois buracos profundos de seu crânio
Que há de um dia eu vê-los me olhando.

Ander 21/09/2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Resposta



Quero vê-la com a cara pintada
De olhos de boneca de nariz vermelho
De boca enorme sorrindo mesmo calada
Tropeçando em sapatos divertidamente velhos.

Quero vê-la dançando em paralelepípedos
Esses que ganham as ruas de todos os bairros
De Minas descalça ou as vizinhas aqui de Vinhedo
As metrópoles devassas. Dançando entre os carros.

A natureza de tudo que é ser, a do beija flor
E a única força do eixo do globo, moderno bobo
O despertar da lua num canto de encanto seja dor
E a vitalidade do ladrão de amor ao grande roubo.

Seu espetáculo será intrínseco
O Coração libertando-se do peito
Cortinas metafísicas em praças e becos
Acrobáticos. Artistas marginais oriundos.

Se o corpo que a alma carrega
A psique doida a faz humana
O arlequim de suas carnes  
O furor que assim emana.

Observo em minha poesia muda
Os movimentos fluviais de seu ato
E por mais que, nesse ínterim, me irrito
É por um bobo de amar e não querer a partida.

Mas lá no meu âmago sempre Existe
A idéia Exata: a alegria do seu sorriso.

Ander 17/10/2012

Amor de outrora



O amor é assunto velho
De bengala e resmungão assim
Alguns o desconhecem esse
Outros o velam nas profundas da terra
(errantes)
E para outros de ralas pelugens frescas
Esse senhor assim na terra
Não passou do não nascer
Escrever sobre essas rugas
É a nova forma velha da loucura
Louca de hospício, amarrada:
Levomepromazina e Clozapina.

E quando à poética liquida
Escorre pelas pedras imortais
Vinculando a abstração...
Da alma aos dedos sais
Qual a facilidade ao amor
Arde em suas palavras
E ao mesmo sacaneia.

São as penas que limpa os ossos
Ossos do amor. Falando assim de amor
Como nunca vi nessa
Contemporaneidade medonha.

Ander 14/10/2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Circunspeção do Terror


Olhos esbugalhados e borrados
De preto circular e esquizofrenia
Medusa de serpentes doentes
Cobertas de anorexia.
A espantar a poeira dos ossos
Terra de cemitério a restar nas unhas
De vestimenta de rameira do século XVIII
Esposas das esposas de Nosferatu
Há vagar pela miséria
Por subúrbios pútridos
Numa noite de Lua
Na circunspeção do Terror
E do Drama e da Mágica crua.

Ander

Tentáculos


Sou um tentáculo de um bilhão de tentáculos
Dessa criatura pai funerária que é o Estado
E se morrer, Ander, nascera outros mil...
Outros mil tentáculos
A política é a matéria do fenômeno
E o homem estrela ego centrista é fundamental quanto,
A onisciência cósmica de um grão.

Ander