segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

E no fim existe Buda





Não importa o que a vida atormenta...
O ser. Pois essa mesmo logo acalenta
E logo se desfaz e logo se reinventa
E se faz um sorriso sorrir vezes quantas
A segunda lágrima que cai já está certa
A terceira implode incógnita
E a quarta é ascensão anarquista
E a quinta num instrumental solista
É a paz e o descanso de um budista.

Ander 18/02/2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Algodão




De pé perante um abismo
Olhei a substancia da morte
E mergulhei em meu sadismo
Para comprovar os enigmas da sorte.

Cai em demasiados rios de lírios
Sem um ferimento ou dor impossível
E ao meu lado um estrebuchado rouxinol
Um animal que me acompanhou ao meu delírio.

Nas hostis vegetações fechadas
Senti a dor dilacerante das pedras
A espremer as facetas imaculadas
E não ter êxito nas cátedras das freiras.

E dessas veredas de tardes obscuras
A fauna inteira do Brasil a espiar-me:
- Igual à ciência ao redor de um cadáver -
E desse ínterim tais coisas a irritar-me.

Em minhas andanças evitei certo animal... 
E dessa experiência da sorte deparei-me rente a rente
Lá vindo, a rastejar, a sibilar, a maldita serpente
Lá vindo assim bem nobre arrogante e vil.

 - Numa posição antropomórfica
Este réptil zombou das duas pernas
Por essa ser glamour da razão e da perfeita física
Conseguinte filosofia e não ter compatibilidades fraternas...

Com os desígnios da religião
E no seu entendimento
Ser um símbolo da perversidade
Para essa e da sabedoria na filosofia
Era um rudimento incrivelmente inexo -
Gritei “sai daqui demônio irreflexo!”

Cansado dos bichos de terra pulei ao mar
E esse me vomitou no mesmo instante
É que o mar desdenha o homem antes
E o homem o mar quer tomar.

Cai em terra, mas logo fui levado pelas aves
Tão alto, tão alto, tão alto que andei nas nuvens
E parei de andar e parei de tudo dentro dessa aeronave
Somente esses pedaços brancos, algodões de versos para narrar.


Ander 16/02/2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Coração Meu





Meu coração tem catedrais imensas
Alastradas, escancaradas e sombrias
Quero eu inundá-las até o teto, todas elas...
Das torrentes das águas das chuvas
Os tolos corredores de Meu coração
Meu coração é um labirinto de espinhos
E sou cárcere do labirinto de Meu coração.

Ander 10/02/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dionísio XXI







Dionísio moribundo suspirava
Ao pé da gigantesca sepultura
Ergueu o dedo suave a altura
E ao seu epitáfio falava.

O sexo espiritual eunuco
Estagnado incredulamente
Paladar horrível. Soltura dos dentes
E o vinho vazado de uma vagina cancerígena.

Dionísio Bradava! Hoje a desdém
Antidepressivos nessa hora
Pois não há ninfas a deixá-lo duro
Ou mancebos a bolinar seu rabo.

Cornucópia dos sentidos
Deus da orgia, deus da libido
Odores de seus vales apodrecidos
E há só moscas aos redores de Dionísio.

Ander 02/02/2013