segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sono Líquido



Guardo luas lágrimas nas torrentes
Das águas. Sono líquido clareando
Clava de dentes. E cravo de dentes
Os sonhos, e também os afogando.

Recordo suas lagrimas nas torrentes
No arranhas céus de paredes mornas
Quieto, inóspito. Velhas novas normas
Dois brancos leites derramados quentes.

A superfície da lente dos seus olhos
Quando os raios sol machucam quanto
Um derradeiro pranto encerra um selo
Medo que jaz de mim em negro peito.

O éter idade fecunda os vinhos brandos
Que dos lábios corre discreto loucos
Antagonistas das marés e dos barcos
Um imóvel ao lago e o outro chacoalhando.

Assim dois corpos incertos
No subterrâneo dos encéfalos
Um no vandalismo dos instintos
O outro carregado de razão e abalos.


Ander 10/12/2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012


 
 
Insônia

Trancado seus portões de ferro rubro
Ao fim dos que adentram todas as noites
Numa câmera congelada de espinhos
De onde se fabrica os sonhos negros
E no atemporal do ínfimo tempo
São Aqueles que não estão prontos ainda.

A recusa da morte é a insônia
Trancado seus portões de carranca
Aquele que de imprudência não entra
Carrega a vela que o pavio não inflama
E não traz o aspecto congelado
Da cadavérica pintura do passado.

Angustia estomacal
E o vômito feito de dedos
Não dormir é o sangue
Dos orifícios sensoriais...
Na nítida angustia
Dos males que aflige o homem
Os lençóis de psicose
Trás todas as meticulosidades
Da degradação da existência.

Para livrar-se das tempestades
Dessa metade de duas faces horrendas
Tem de ir ao centro além dos portões
E fixar-se eternamente junto aos que estão mortos.

Ander 28/11/2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A um esqueleto

Quantas vezes, infinitas perturbadoras
Aflitivas, angustiantes, famintas vezes
Meus olhos de gelo arderam predadores
No seu esqueleto comprido amarelo
Quantas vezes, absorto em necrofagia
A pele esticando sobre seus músculos
Olhos de doença pornográfica rústica
Contradizendo esta paisagem mística

Eu delirando de orgasmo e de amor tamanho.
Com sua caveira que tanto amo
Com os dois buracos profundos de seu crânio
Que há de um dia eu vê-los me olhando.

Ander 21/09/2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Resposta



Quero vê-la com a cara pintada
De olhos de boneca de nariz vermelho
De boca enorme sorrindo mesmo calada
Tropeçando em sapatos divertidamente velhos.

Quero vê-la dançando em paralelepípedos
Esses que ganham as ruas de todos os bairros
De Minas descalça ou as vizinhas aqui de Vinhedo
As metrópoles devassas. Dançando entre os carros.

A natureza de tudo que é ser, a do beija flor
E a única força do eixo do globo, moderno bobo
O despertar da lua num canto de encanto seja dor
E a vitalidade do ladrão de amor ao grande roubo.

Seu espetáculo será intrínseco
O Coração libertando-se do peito
Cortinas metafísicas em praças e becos
Acrobáticos. Artistas marginais oriundos.

Se o corpo que a alma carrega
A psique doida a faz humana
O arlequim de suas carnes  
O furor que assim emana.

Observo em minha poesia muda
Os movimentos fluviais de seu ato
E por mais que, nesse ínterim, me irrito
É por um bobo de amar e não querer a partida.

Mas lá no meu âmago sempre Existe
A idéia Exata: a alegria do seu sorriso.

Ander 17/10/2012

Amor de outrora



O amor é assunto velho
De bengala e resmungão assim
Alguns o desconhecem esse
Outros o velam nas profundas da terra
(errantes)
E para outros de ralas pelugens frescas
Esse senhor assim na terra
Não passou do não nascer
Escrever sobre essas rugas
É a nova forma velha da loucura
Louca de hospício, amarrada:
Levomepromazina e Clozapina.

E quando à poética liquida
Escorre pelas pedras imortais
Vinculando a abstração...
Da alma aos dedos sais
Qual a facilidade ao amor
Arde em suas palavras
E ao mesmo sacaneia.

São as penas que limpa os ossos
Ossos do amor. Falando assim de amor
Como nunca vi nessa
Contemporaneidade medonha.

Ander 14/10/2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Circunspeção do Terror


Olhos esbugalhados e borrados
De preto circular e esquizofrenia
Medusa de serpentes doentes
Cobertas de anorexia.
A espantar a poeira dos ossos
Terra de cemitério a restar nas unhas
De vestimenta de rameira do século XVIII
Esposas das esposas de Nosferatu
Há vagar pela miséria
Por subúrbios pútridos
Numa noite de Lua
Na circunspeção do Terror
E do Drama e da Mágica crua.

Ander

Tentáculos


Sou um tentáculo de um bilhão de tentáculos
Dessa criatura pai funerária que é o Estado
E se morrer, Ander, nascera outros mil...
Outros mil tentáculos
A política é a matéria do fenômeno
E o homem estrela ego centrista é fundamental quanto,
A onisciência cósmica de um grão.

Ander

Silêncio


Ao ouvir a tosse rouca...
Tuberculosa de uma motocicleta
Do telhado cinematográfico de casa
Fui lendo algo nas asas de uma borboleta.

Nela lembrei-me de certo silêncio
Um silêncio dos antigos lá dos passados
Ao deus do silêncio faziam - se homenagens
Levando paz e tranquilidade os povos brandos.

Mas não tão longe e um pouco antes
Franklin ainda nem sonhava em empinar pipas
E a eletricidade mergulhada no mundo das ideias
Dava lugar ao mundo orquestrado do canto das aves.

Disse às asas - as asas que se expandiam;
Quero eu o meu silêncio! Dê-me o meu silêncio!
E se é para conversas só ouço os diálogos das baleias
Na imensidão do mar selando em beijos o silêncio e o bulício.

Silêncio Inteiro, saudável. Silêncio silencioso
Um resolver sem balas, feito de sabão a se desmanchar...
Nas aguas claras de arraias, de tamanduás e araras preguiçosas...
A borboleta foi levando minha alma para de certo modo eu me encontrar.

Todos deveriam reivindicar o seu silêncio
Sete bilhões nesse hábito de árvores e folhas e cabelos
Movimentados pelo sopro de um calmo Tifão o senhor dos ventos
A brisa, plácida, de folhas viradas às vinte e quatro horas da manhã.

O silêncio vai de mãos dadas a uma sombra esticada
Nessa hora um muro de tijolinhos e uma luz morta lá no alto
Na mão um livro, de filosofia alemã intrinsecamente pesada...
Ou de receita de bolo de mandioca e de biscoitos amanteigados.

Não se sabe ao certo o que veemente leva esse espectro
Mas o silencio que ele conserva representa o caos doente:
Desorganizando as ideias. Desconectando se mentalmente
Os ruídos de hoje vão devorando a gente como ultimo cancro.

Volto ao telhado de casa e ouço o absurdo com os olhos
Cem motores potentes movimentam uma frágil manivela
E no meio disso tudo o silêncio indo embora em mudo choro
E tudo por causa de um livro e uma motocicleta velha.

Ander 01/07/2012

Almas Gêmeas



Lá está o casco do navio. E esse navio suporta o mundo inteiro
Se quereres vir comigo. De me suas mãos. Mergulhamos. Mergulhamos
Agora retiramos as mascaras de oxigênio. Demos costas ao veleiro
Vê tanta beleza? Dos peixes, das algas. Dos cânticos das Sereias
Somos tudo isso. Quando compreendemos. Nossos corpos se dissolvem
Somos flores e somos anjos. Somo almas gêmeas. Você e eu.

Ander 03/04/2009

Pele


Pele alva dos clarões eternos
Clave de Sol transparências
Pigmentos dos mais ternos
Sensualidade de carências.

A pele de ébano e a dos louros
A que o Sol oculta ao inverno
E a que o inverno protege do Sol
Nas extremidades do mundo moderno.

Entre elas a pele que é minha
Das Amazonas dos egípcios
A pele morena é a que mais fascina.
É a pele entre, a no meio, a dos cios.

Pele Desnuda, pele muda.
Que a atmosfera acalenta
No berço de folhas e frutas
Pele que estica pele que esquenta.

Toda pele é nua
Toda pele é sua
Toda pele balbucia
Toda pele especula.

Pele vã e pestilenta
Açoites e máculas
Ruidosas bestiais
Do que o poro arrebenta.

Pele dos antepassados
Arca Antropológica divina
Amante dos ossos. Copula eterna
Pele do sexo e dos batimentos idos.

A ilusão que a pele proporciona
Esparadrapo dos músculos
Contenção do sangue em círculos
Que o assassino não ocasiona.

Pele Egocêntrica de irmãos siameses
Espécies cobertas de pele d’agua
Pele das finíssimas augusta dos deuses
E Rudimentar pele humana.

Ander 02/06/2012

Pôr do Sol


Em laços de amor
Correndo onde for
De flor em flor em flor
Vem amigo...
Vim brincar contigo
Onde estamos
Outrora vimos:

A letra do discípulo
Que escreveu a carta
Narrativas da dor...

Pôr do Sol
Lá vem a Águia
Acrobata dos sonhos
Deusa e Deus
Trevas e Trevo
Quando se foi?
Quando voltou?
Amor, amor, amor.

A letra do discípulo
Que escreveu a carta
Narrativas da dor.
Longe, longe, longe.

Ander 15/07/2010

Anfisbena Cortada (Duas Cabeças)



(À Akiw e Valkiria)

Água cinza das enchentes
Soltas entre si, amores idem
Presas no espaço de suas lentes
Como pétalas que se cuidam.

Estranhos becos, poças d’água
Mutirão de sombras assanhadas
Gatos pretos. Atiçados
Dessas felinas atracadas.

Há de ser em uma Igreja
De dimensões Colossais
Quando uma a outra beija
No calor de um assento.

O que há de ser, agora!
Quando a penumbra dobra
De vestes longas Ela cobra
A última claridade.

Adeus de Anfisbena cortada
Gotejando sangue. Dor! É mortal
As duas. Adeus! Almas immortais
Sem alma, tristonhas demônias.

Ander 23/12/2011

Aline


A sofreguidão para a dor da alma
A dor gostosa de todos os amantes
É eterna e ternamente a todo instante
Para as comportas abertas de quem ama.

As vibrações (Oriundas do inexplicável)
Somos fantasmas; você e eu interplanetários
E as danações e o horror são as paredes dos rios
E seu rosto desse mundo é guardado por um véu.

Abro essa face de caveira (é o que somos)
O esqueleto é o estado nu para os amantes
Do Éden de Aline; há verdes e as vazantes
Sem braços e pernas rastejando a dois pomos.

Atrações, surrealismo, cria-se o novo mundo
De argila, barro, erupções vulcânicas
É de quando a encontro perscrutando fundo
A origem maléfica da vida orgânica.

Perdidamente como humano a amo
Queria ser outro bicho, outra espécie
Como na pureza da fauna aqui viesse
Outro sentido para amá-la até seu sumo.

Ander 24/01/2011

Ander


 Este meu coração é silvestre
Trepidando ao sinal de Baphomet
Corro para as Musas dos vales campestres
Amazonas de Sombra e de Morte.

A lança arremessada
Dilacera a espinha ereta
Eu sou aquele que observa:
Pós-homem. Além das feras de Creta.

Essa solidão anatômica devora
Devora a magnitude.
O amplo rude de todas as significâncias.
E todo o esplendor inútil da atitude.

O envelhecimento das células,
Este remédio, este placebo que me dão para tomar:
É toda a importância do mundo
A única importância para mim esta no fundo do mar.

A beleza se encontra na decomposição
Da matéria voltando ao Principio preto
Do preto conjugando ao acaso da ovulação
Essa capacitação a cada coisa formada dentro do seu contexto.

Ander 03/12/2009

Janela adentra


Para você e,
É sempre para você
Não há mais ninguém
E mesmo se tivesse alguém além
Ainda esse alguém seria ninguém.

Mundo docilmente morto

Nosso Mundo docilmente morto
E não importa quanto sol escaldante
Faz lá fora. De nossa janela:
Lá quanto aqui dentro
Em verdade será sombra sempre
Mas nossa sombra é nossa
Minha e sua e de mais ninguém
Enquanto lá fora é homogêneo
Massa escura de esgoto
Entristece-me a vista
Minha vista mais escura
Do mundo lá de fora.
Aqui é sombra familiar
Do mesmo ventre morto
Saímos, num incesto, gêmeos.
Mas não tão gêmeos
Numa medida certa de nós dois
Para concluirmos o circulo da vida.

 Ander

Formosa



Alva filha das doces flores
Desperta amores nos lábios do Sol,
Campo donde nascem arco-íris montes cores,
Formosas sensações, glúteos escaldantes.

A Natureza sibila
Ela faz disso um espetáculo
Que a Natureza toda ri.

Ander 09/11/2008

(Escrito em uma manhã de domingo)

Estrutura Caótica


É um medo que temos
E um repudio inevitável
E Inevitavelmente
É imenso
E se expande, mas há
De expandirmos também
E irmos mais além
(Porque alcançamos as estrelas)
Do que toda aquela
Estrutura óssea
Arquitetura caótica
Sem brilho, sem vida...
Apenas aquilo
Que desmorona
No impacto das almas.

Ander 08/05/2011

Hibrida



A uma travesti

Curvas de amor. Anestésica
Esculpidas por desvios de conduta
Em que a Natureza tediosa de tal música
Arrancou profundo uma porção de carne bruta:

Há envergar para os três anjos do céu
O falo mais fabuloso que uma mulher oculta
Híbrida dos dois sexos num tamanho escarcéu
O carnaval ininterrupto de um útero bêbado de cicuta.

Câmeras frias, acanhamentos descartáveis
Propulsão do sexo e inconsciência retroativa
A impelir a ciência nas formulas inexplicáveis
A explicar o regozijo indiferente da natureza ativa.

Agressiva, e dócil bicho da selva moderna
Libertina e hedonista e decadente em luxuriahahas!
Carrega o asco de Jesus Cristo nas próprias pernas
E de todos os santos. Condenada a vil Inferna e fúria.

Teu pau é a espectadora; frívola ou atuante
Espécie nova de serpente nos convés do amanhã
Na sombria intimidade Hebraica do varonil amante:
Faz-se a fêmea atiçadissima que suas memórias entranha.

Nas divisões do Inferno Reina Sodoma e Gomorra
Um som irritadiço flui da garganta em vibrações com o ânus
Áspera! Serena! Tremula! O corpo inteiro acolhe a porra
E se igualam tais prazeres: O do rabo é amigável com a deusa de Vênus.

Latrinas e prédios. Uma canção moribunda da noite
Faróis tímidos revelam um corpo seminu. Estrela de bronze
O estômago ébrio do cérebro na corrupção e putrefação da sorte
Vai cair à 00h00min a luz morta da esquina do numero onze.

Ander 31/12/2011

Cristais Rolantes



Seus olhos são gélidos
Em ondas de cristais rolantes
Banha lhe a face transparentemente
E vai cair, caindo durantes
Nas dores de minha alma plangente.

Ander 11/05/2010

Do Homem em Réptil




                           A Charles Darwin

Na irracionalidade da besta primitiva
Despi meu corpo da pele humana
Numa anti-futura pós pré-evolutiva
Na idéia inexistente das ciências.

Voltei nos primórdios dos lagartos
Colossal fera pagã atéia animalesca
A grandeza enorme em meus instintos
Libertada pelas sombras frescas.

Um riacho vermelho que cuspi e o júri
A porção de carne dando vista nas costelas
O Júri é o espectro da sagrada sucuri
Encarnada desde o primórdio da célula.

Os Olhos de Ninfas dos sonhos Gregos
Contem as mesmas sutis características
Na materialização das fantasias dragonistas
Condenadas nestas vistas a um anti-inferno.

Arrebatadas nas danações monstruosas
O entendimento com a própria Natureza
Rugi o hediondo, nas pútridas pantanosas
Fermentações singularíssimas e complexas.

Ander 14/04/2010

Eclosão do Sêmen



Tão benevolente é tua voz
Na musica evangélica dessa harpa
Que Deus tocou-te a fronte
Puro o louvor dos deuses todos
Paz de espírito, Paz de tudo.
Para com os sinos do mundo
O som de chuva. E a visão pálida
Do fim sereno dessa vida
Pintado em arco-íris
No céu de perfeito Cristo!

Embora a doce voz
Na eclosão do sêmen
Consome o Evangelho
A mais doce flor
Sucumbida do ato
Volta a ser do ser
Besta flamejante
De olhos velhos
Ofegante! Ofegante!
Como o próprio Diabo
Adotado por toda Porra.

Escorrendo pelo ânus do amante.

Ander 15/12/2011

Girassol


Hoje com o pensamento ainda onírico
Ainda em sonho desperto por um Girassol
E de dois caminhos exatamente extremos,
Eu cá com os Satíricos. E tu lá no reino dos céus.

Ander 29/08/2010

Vênus de La Morte (Monte de Vênus)



Senhor venha aqui a estes galhos
Que seguram a essas doces maças
Senhor ó pai de rancor imaculado.

Venha ver onde elas caem
Rolam entre estes lençóis
Manchados de amor gasoso
Encontram-se entre lábios
Nas águas perfumadas.

Por Venus amada
Nos estratagemas do pecado.

Na alcova de lençóis pálidos
Em círculos de fumaça dos cigarros
No orgasmo trêmulo atemporal
Duas felinas se agarram.

Ander 23/07/2011

Funérea espírita



Funérea espírita nocturna
Das danações sangrentas 
Cai morta na cova diurna
Do que teu corpo agüentas.

Olhos sepulcrais de fera
Satanizada Satírica donzela
Que o instinto vil a queira
Esta Especial mãe que a zela.

Cuidas da alma que brota
Irrigada de inferno enxofre
Do perfume do Elíseos solta
Ambivalência que sempre sofre.

Dor e dor que causa a carne,
Para teus prazeres mais secretas
Que causa, vão causando até o cerne,
Precipita a inocência violenta!

Funérea Flor Negra na Lápide
Ossos hão de estarem profundamente
E a alma negra que o corvo invade
Carrega-a ao pântano sorrateiramente.

Hades lúgubre de nossos corações
No poço gelatinoso dos flagelados
Tu rasgas a própria carne em porções
Antropófaga ninfa. Lábios congelados.

Gilles de Rais encarnada. Assassina
Tu és toda ela infantis masoquistas
Salpica de sangue com garra felina
E vais morrer na Luz da Lua Satanistas.

Doce silaba articula de tua língua
Contorce minha garganta sufocada
De prazeres e perigos não mingua
Arranca demoníacas gemidas.

A quero esfinge nova de mistério
Antes que cresça até a abobada
Do mundo este infame cemitério
Que as de vestir de couro e mordaças.

E veja estes destroços em tudo
Os destroços és tu mesma
O futuro é as chaga do vagabundo
Pisoteado pelas lesmas.

No infortúnio de todas as gerações
Incompreendidas e determinada
Inútil sentido de todas as religiões
A única importância é ser amada.

Flor Negra vai conspurca-as 
Flores brancas devotadas
De inocência para inocências
Ondas de sangue agitadas.

Vem tocar meu peito esquelético
Com Mãos Perversas de Princesa
Tocar-te também irei num estado epilético: 
Ambos enaltecidos pela Natureza.

Ander 19/01/2010

Mortalidade



De Sócrates a Platão a Aristóteles
De Anaxímenes a Parmênides e Heráclito
E mais alguns trilhões batidos
No sistema caótico das almas.
Dos faraós do Egito, de todo seu reinado.
E de seus escravos e mais alguns trilhões batidos
No sistema caótico das almas
Reis e plebes. Hindus e Islamitas
Mulçumanos e Xiitas e as tribos do Brasil
Judeus e no meio o autor de Cristo e Deus
E mais alguns trilhões sem nome
Passando por Roma os massacrados
Há de prestarem contas com seus carrascos
No sistema caótico das almas
Entretanto há de voltarmos
Na era dos macacos – já quase humanos -
Digamos já dignos de ter uma alma
Eles convivem com os contemporâneos
No atemporal caos dos espíritos
Como há de conviver mesmo assim já sendo tantos
Maquiavel por exemplo e Arthur Schopenhauer
Num ligamento sem tempo com a estupidez dos povos.

Alguns não têm a consciência
Nem sabem que estão mortos
Porque não pela necromancia?
Não dizemos: “acorde logo acorde!”

Se há de sermos consciência
Na metafísica iluminada da mente
Para aqueles que sabem que estão mortos
Na complexa infinitude do tempo
Partimos até para quem inventou Cronos
Uma explicação do enigma do tempo
Para aliviar os entediados mortos há mil anos.
Onde? Onde? Do que já não são nem ossos
Há tantas câmeras antigravitacionais para todos?
Numa diversão enfadonha de dar uma de super-homem.
Em algum momento um lamento pela mortalidade
E dizer escondidinho “amada mortalidade”
Para os que não sabem “a ignorância é uma benção”
Num profundo tanto - faz tanto - faz para todos
Pois, ao que souberem voltamos logo acima;
E logo na consciência aterradora da filosofia
Desejará a carbonização do ser, o derretimento da fala
O recipiente que nunca veio a encher.

Ander

Dorme e Dorme


Morta de sono
Dorme e Dorme
Sono de subsolo
Nem de vivos
E nem de quem morre...
E lá vai subindo
É lá no inferno
Perambulando, ébria
Dorme e Dorme
Ainda bela
Na condenação da insônia
Descomposta, irritadiça
Quando acorda
Mas logo dorme,
Sono da Morte!
Dorme e Dorme.
Lago da Morte!
Colchão mole
Escapatória do Tédio
E as dores do mundo.

20/05/2011

Ander (escrito para ontem enquanto você dorme)

O poeta que é poeta



Interna na essência mística de uma fêmea,
E nas brasas a virilidade tesa de um touro,
E nunca pela capacidade dentro do útero não semeia:
Por que doravante é a forma estúpida do mau agouro.

Há no ar partículas que talvez não as compreenda ainda,
Intenções a versas à Natureza que só os homens de finos tratos a compõem, 
Eles descem, tecem e mordem o Éden mais valioso da vida,
Claros, transparentes, potentes e mórbidos. Há o Sol que se põe.

O poeta que é poeta tem a alma e a lasciva feminina,
Ele imortaliza as dores da desgraça e esculpi a sina,
Numa singularidade ímpar, na dança dos possessos ele peregrina,

Mas quando arranca o lençol daquela que repousa,
Curva um cavalheiro perante sua amada esposa,
Enfoca e é mais sensível: Aí é a sua musa.

Ander 26/04/2008

Belladonna


Gruta minha...
Adentro e intenso
Estalactite e Estalagmites
Umidade de espectro ruidoso
E animais peçonhentos
Que vou fodendo
Vibrando o infinito
Ecoando em sangue
As façanhas do destino
Emerge comigo
Esmeralda aflita
Entre as pernas
As babas
De forma indefinida
Serpente marinha
Nas águas gelatinosas
Dançando Macabra
Entre suas pernas gostosas.

Ander 11/06/2011

Pétalas dos lábios



Por essa moça bela,
É desatinar os sentidos,
Soltar os sentimentos contidos,
E se for mulher onça amar-se mais a ela.

Pouco tempo nesse conto,
De graça temporais em flora,
Serei de devasso a homem santo,
E ainda a conheço nessa hora.

Leves delicadas pétalas dos lábios,
O selinho a expulsar-me de teu rosto,
Banhar-me em vinho e assobiar desgostos,
O infortúnio de não tê-la e ir uivar com os lobos.

Abraçar-lhe os ossos em anseio
Desse corpo perfeitamente belo,
Ulna e radio e metacarpos e clavículas me veio,
No interno aconchego de seus órgãos serenos.

Ah! Se ao fim do inverno e o calor dos astros,
Ambos juntos em importantes disparates,
Não alcançaria o que me inquieta por dentro,
E da desistência não fará dessa vez parte.

Permita-me pelas canções eternas, 
Conquista-la em vias claras lindamente,
E na escuridão ainda ter lanternas,
Para iluminá-la eternamente.

Ander 17/03/2008

Na solidão de um rio



Quando está no mundo é que não é você
É que não andas é que não fala é outro ser
É mais do que tudo, mais do que é oriundo
O profundo ou médio raso e um vaso de flor.

Quando está no mundo, sei que não é você
Quando é você não há mais nenhum mundo
Nem poças d’água, nem vias dutras modernas
Nem altares sacrificais, lousas, mesas etéreas.

Não há mais, nem o Omega e nem o Alfa
Via-Láctea (galáxias) nos mistérios de Deus
Talvez no mínimo partículas de universos
Como poeira gravitacional dos meus versos. 

Ander 12/02/2011

Joana



Sons de águas doces, águas limpas transparentes,
Voz molhada, transbordante, flautas artesanais,
Tocadas entre a fauna, a flora, macia e absorvente,
Segura. Entretanto a inocência e beleza joviais.

Meu coração se desprende do plural do amor
Por que o amor é eterno vivenciado e singular
Dado ao toque, às vibrações de seu lábio inferior,
Vai os tecendo nos pensamentos dentro olhar.

Cantos, prantos, orquestras, em cada silaba,
Moldando a voz circulante no ar que o silencio admira
Pondero a voz de sua enorme boca instrumentando liras,

Partículas de água é o choro dispersas de céu sombrio
Onde o frio acolhe minha alma nesse romance de Isolda ou Joana
Molha a calma plácida, alta, num balanço e enxurrada dos rios.

Ander 13/12/2007

Nascimento



Não me lembro ao completar o finito
Apagar as velas de meus sonhos
Entrar no quarto aonde jaz pilha de mortos...
__________ Se decompondo __________ 
As paredes do céu mofam. E as estrelas arfam.

Ander 25/01/2003

Maquinário





Tochas de metais incandescentes
Retorcidos por mãos enferrujadas
Passadas cibernéticas e presentes
Bando em vão as latarias pesadas.

Parafusos que seguram o encaixe
As dobradiças dos braços irregulares
Giram feixes de cópias de paus nos molares
Em outra parte do que seria a boca aquilo mexe!

Fagulhas abruptas. Um circuito estala
Vão às labaredas de fogo em tela primaria
Um líquido preto cursa no mando das válvulas
Esquenta o coração, impulsiona uma espécie de gritaria.

Ardor das Maquinas. Não existe alma
Mas um programa de tristezas falhas
Placas de aço, amontoados de tralhas
Sucumbindo como carnes trêmulas.

Monologo artificial:

Aprendi sobre os empíricos,
Dos matemáticos e os astros
A compreensão do Universo
Mas emudeço a sentir um verso.

Sou o que não é tamanha abominação
Digimortal. Obsoleto. Industrializado
Propriamente feito por mim mesmo desfeito
Mecânica espiritual analisado.

Vai a maquina lá e eu em mim encosto
O mais próximo do homem chama de opio
Queimo por dentro digitalizo um rosto...
Não putrificado em horror do instante arrepio.

Dos seres que o comem por dentro
Ruídos de desconstruções mortais
Ruídos que rangem algo que não sinto
Rangem e rangem e rangem infernais.

Embora não sinto, há algo mútuo...
Entre o estraçalha mento dos meus circuitos
E aquilo que finda o tumulto da espécie humana
Ambos têm a morte Eu da destruição e o homem da alma.

Ander 25/06/2012

Natural Mater



O lado escuro da Lua caída em Sol
De prantos secam Nuas laminados céus
De acordar para o dia deleitado teus
E morrer em silencio naus.

Volta, dum adentro substancial.
Encharcadas de folhas dó ré mi lá e Só
Semicerradas a essa norma essencial
Que a existência é apenas Pó.

Quedas d’água sepulcrais
Confins, sofreguidão circular,
Espaçonaves opacas quânticas,
Inferno, abismo e incoerência.

Luz, incoerência e abismo,
Amarguras e ossaturas
Tônico Vandalismo,
Amor natural Mater.

Ander 19/10/2011

Lolitchen



Quero lhe a boca rara
Sem fala. Apenas a língua e os dentes
Esse ar de boneca encaixotada muito antiga e frágil
Lolitchen... Assim meia puta, e meia mulher de casa
Lolitchen... 
Onde quer que esteja, podre, decomposta para a mesa,
Comendo com as mãos acesas, há também de estar nua,
Lésbica. Ninfomaníaca. Evangélica. Artística.
Há também de dar as gargalhadas e abrir a própria cova
Quero tua boceta e teu pau. Hermafrodita desvairada.

Ander 28/07/2009

Hora Cassia, Hora Frida



Seus pés de espectro vieram à noite,
Leve, pomposa, obliquamente...
Tocando-me a fronte morta,
Com seus dedos inexoráveis e sombrios.
Por dimensões distantes, esferas lúgubres,
Taciturnas e arfantes.
Que nossas almas em língua antiga...
Pagã, dionisíaca, numa dança um tanto singular,
Introspectiva.
Num quadro coagulante...
Uma face bela e indagativa...
Mas distante.  Hora Cássia, hora Frida.

Ander 07/03/2007

Absinto febril



Nuvens dispersas obscurecidas nuvens
A cerca de seus braços envolvidas lúgubres,
Envolvidas em sombras volvendo invisíveis
Sombreadas onipotentes a claridades pobres.

Sonho de névoa é a consciência imersa
Espatifando numa vala de carne e ossos
É onde meu espírito a encontra inversa...
Altiva e Indecifrável vai a versos.

Coagulado na garganta uma chama de sangue
Que a expelimos na grama pastoril dos santos
Ao coração através das aritméticas das falanges
Uma porção de novos e carinhosos sentimentos.

É onde num abstrato do corpo
Pinceis das loucas perfeitas...
Emoções à noite nos espreita
No absinto febril de um copo.

Emoções à noite nos espreita, felinamente
Espreita-se uma Matriarca das Panteras
No arbusto olhos incandescentes de feras.

E a fraqueza das cores; o verde das folhas
Como o vermelho receoso das rosas
Cai em declínio na passagem da Morte.
Uma bela caveira a acompanha pomposa.

Num caos tranqüilo das Esferas
Da mesma matéria das violetas lilás
É onde lhe apanho as estrelas.

E é noite mil vezes ainda
Meus dedos roça lhe a boca
Da paixão sangue estranho ímpeto...
 “Um olhar atordoado. Uma lembrança. Suas mãos.”
Acalantas atmosféricas recíprocas.

Ander 07/04/2010

Ataúde


Chute ao ataúde por pura diversão
Os ossos de Cristo, Hitler, Gandhi e Calígula
E junto deles o meu próprio crânio
E lá dentro não consegui distingui-los;
Não vi ossos bons ou maus, sagrados ou profanos,
Apenas ossos demasiadamente humanos.

Ander

Eve Fassarella


Raios de luzes dispersos unificaram em harmonia
Caíram saudosas, enamoradas, num breu fantasmagórico...
Angelicais claridades onduladas labiais de Deus fluíam...
Afim moldando celestes partículas no templo gótico.

Que traição de cupido para a humanidade
Não sair luz angelical de seu coração solilóquio
Eve Fassarella esverdeada ofuscava a ele os olhos...
Mesmo ele entrava deixando lá fora o ébano de Pinóquio.

Negrume aterrador. Dragão sombrio... 
Orgânicas. Musculares. Decompostas. Ruidosas.
Infinito algoz nas paredes monstruosas
E por dentro o celeste incomensuravelmente brio.

Divinos clarões bailaram as penas Fassarella
Tempestades de flores se abriam e subiam
Dançavam alucinógenas todas as mulheres bellas
Banhando-se pela essência de Eve Fassarella.

Ander 01/07/2009

Elizabeth


Amor que dorme nas ondas noturnas
Navega, eleva, num mar de rosas dispersas
O corpo cintila, desperta lasciva, nua,
Endeusa a face minha morena perversa.

Bela sedutora Bruxa Elizabeth
Dos anseios da mortalidade findo
Um lance desse olhar terno quente
Cai sedutoramente de alma sorrindo.

Vermelha clara alcova da manhã
Inflamada pelo incenso a paixão vespertina
Observa – à: o universo e a estrela anciã...
Esbelta flor, versos na luz de serpentina.

Serena morena esculpida eterna
Numa dança pagã realça os escritos
Oh! Corpo de mulher libertina...
Mas Singulares vícios de amor à cristalina.

Estrela D'Alva. Saudosa; amor e vida
Semblante artística etéreos mística
Quero-te lhe a alma pela pele cálida,
Numa lilás juntura uma tanto eclesiástica.

Ander 16/01/2009

Ultima poetisa


Em nuvens suspensa
Por fios de amarração
Num palco de encenação
No ar de plenitude tensa
É para a poesia
Como a melancolia
Dos atos modernos
As palavras fluem
Nos ballets de sensibilidade
Dos seus dedos fecundos
Manuscritos a ganhar o mundo
Ultima poetisa
Como a Arara-Azul-de-Lear
Raríssima. Belíssima
Na distancia de um olhar
Para os poucos
Para um mundo limitado
Quase morto
Da musica dos dedos
Um sentimento inacabado
Ganhando pedaços
E há cada estrofe se despedaça
Entrego-me ao seu céu
De rachaduras negras e espuma
A um mausoléu de folhas brancas.

Ander 30/09/2011

Amargor









Uma tecla de um piano grande e velho
Numa sequencia ininterrupta do dedo
Subindo e descendo franzindo o cenho
Entre oscilações do tédio, espanto e medo.

Uma flauta de uma boca imaginaria
Suspensa no ar de um lado a outro
Triste todas as vidas tocando iria
Nas campinas deserta, quebradiça.

O triste e de seu próprio assombro
Caminha a amargura e levita o leviatã
Na figura de um fantasma que não assusta
Figura de gente que tem as constelações nos ombros.

Como anil do céu são os olhos negros
Sem idioma e sexo ponderado e débil
Incerto. Torto. Sem quaisquer gêneros
Harpa enfadonha e seu inferno móvel.

Meus clichês de música tediosa de misantropia
Nascem na antropologia genealógica de Jesus
E fui Eu morrer assim como o apostolo André
Em uma cruz em forma de X na Grécia Antiga.

Ander 11/06/2012

Quem Sou Eu


Deixar-me-ia dormir até mais tarde
Naquele caixão pequenininho que construirão
Feito de folhas de palmeiras de qualquer coisa que a terra cede
Ah! Tanta pressa que se tem lá fora. Quero uma vida sem computadores...
Sem Prendedores nos varais secando os jeans. Quero encontrar-me com a merda... 
Dos gados adubando a terra sem ronco dos motores.
Talvez se um dia eu me voltar a isso, eu poderei dizer quem sou eu.

Ander